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(DIva <3)

           Se você nunca ouviu falar de Cher, posso lhe garantir que ou você tem vivido em uma caverna durante toda a sua vida ou tem aversão a música -qualquer que seja o gênero- e ao mundo do entretenimento.  Cantora e atriz –ganhadora do Grammy e do Oscar, segurem essa!- , Cher tem estado no olho da mídia há mais ou menos cinco década, chocando a todos com o seu bom e velho ar de “Dane-se o que os outros pensam, sou diva!” e com um discurso de mulher auto suficiente que transformou o papel da mulher no meio musical.
            Essa semana a cantora foi anunciada como nova garota propaganda da Marc Jacobs. Não houve choque por conta dessa notícia, muito menos discordância com o novo posto que o designer lhe deu. E nem teria como ser diferente, uma vez que, quando se trata de ousar na moda e se adaptar as mudanças que acontecem no universo fashion, Cher sempre tirou isso de letra.  Se não fosse por ela, não existiram as “divas”  da música como Lady Gaga e Madona e nem mesmo J-Lo ou Kim Kardadashian.
            Cher, que estourou no meio musical na década de 1970, fazendo dupla folk rock com o seu marido Sony, teve seu sucesso na época comparado ao Beatlemania, No início, a cantora era vista como atrapalhada e desengonçada, graças a sua falta de presença nos palcos. Com o tempo, Cher foi ganhando confiança, e, dessa forma, permitiu a audiência a apreciar sua beleza exótica e gosto aguçado por calças bocas de sino, casacos com franjas e estampas mirabolantes. Com o final do seu casamento com Sony em 1975, Cher resolveu explorar outros gêneros da música, indo do New Wave  ao Disco Music. 


(O estilo folk glam do casal Cher e Sonny)

           A sua reinvenção na música não passou despercebida, que contou muito com o apoio da própria reinvenção da imagem da cantora.  A cantora explorou muito do que a moda tinha a oferecer para quebrar barreiras dentro da indústria do entretenimento. Ela passou a vestir roupas bastante reveladores e com bastante brilho- e paetês- em aparições públicas e transformou muitas fantasias de apelo cultural- da cultura egípcio, indígena, etc.- em vestuário obrigatório para suas apresentações.  O resultado foi o que já conhecemos: graças a sua habilidade em se adaptar rápido a novos gêneros musicais e vestir do que há de mais louco nesse mundo, Cher ganhou o apelido de Deusa do Pop. E, convenhamos, um apelido muito bem merecido!



(Cher e as suas várias facetas)

            Cher já havia se vestido de homem e  experimentado das roupas mais extravagantes, reveladoras e brilhantes que há em suas turnês- incluindo sua estada em Las Vegas- muito antes de Lady Gaga, Madonna, Jennifer Lopez , Rihanna, Beyoncé, etc. A cantora/atriz usou um vestido bastante revelador para receber o seu Oscar de Melhor Atriz em 1988, muito antes de Kim Kardashian tentar de todas as formas quebrar a internet.
Ela é a prova viva que tudo que um dia foi tendência ou causou na moda pode voltar a ser o centro das atenções. Muitas podem vestir o que ela já vestiu, copiar seus trajes mais polêmicos e até usa-la de inspiração na hora de subir aos palcos, entretanto;  nenhuma delas segura da mesma maneira uma imagem de estrela/diva em Hollywood como  Cher fez e ainda faz. Aliás, muitas mal conseguem segura uma, enquanto Cher segura várias ao mesmo tempo sem nem perder a compostura de Deusa do Pop.



(Da esquerda para a direita: Cher vestida com roupas típicas dos malandros dos anos 1950 em 2002,  no Oscar de 1974, de 1988 e 1986)

(Fotografada por David Sims)


(Diva de ontem, de hoje, de sempre <3)
          O Baile do Met pode ter acabado, mas ainda há muito falatório sobre as celebridades que passaram em seu tapete vermelho.
            A mais comentada do evento, sem sobra de dúvidas, foi Rihanna, que mostrou mais uma vez sua fama de suprema camaleoa na moda. A cantora, conhecida por ter uma atitude badass e confiança inabalada, arrasou vestindo uma capa de estilo haute couture do designer chinês Guo Pei.
            Rihanna provou que é possível acrescentar sua personalidade e ainda se manter dentro das “normas” de um dress code extremamente específico. A sua originalidade a faz ser o centro das atenções onde quer que ela vá.  Não é a toa que os fashionistas amaram o seu esforço para compor um visual adequado e arrojado para o evento e os fanáticos da internet amaram esse oportunidade para criar inúmeros memes usando Rihanna e a capa Guo Pei como fonte de inspiração.


(Melhor meme: sim ou com certeza?)

            Enquanto Rihanna foi aplaudida admirada por seu esforço fashion, outras celebridades se destacaram por suas escolhas um tanto que reveladoras- literalmente- para o Met Gala desse ano. As divas da música e da mídia Jennifer Lopez, Beyonce e Kim Kardashian mostraram que não tem nada a esconder- repito, literalmente- e decidiram ir a abertura da exposição do museu em vestidos que deixaram pouco para a imaginação.
            Claro, não é de hoje que mulheres vestem roupas que fazem os homens ficarem de queixo caído e as mulheres a matar suas concorrências com a força do pensamento de tanta inveja.


(Tres das mulheres mais comentadas atualmente, tanto no mundo online como offline.Da esquerda para á direta: Beyonce de Givenchy; Jennifer Lopez de Versace e Kim Kardashian de Roberto Cavalli assinado por Peter Dundas)

            Marilyn Monroe, por exemplo, até hoje é lembrada por seu forte sex appeal dentro e fora das telas de cinema. Um de seus vestidos mais comentados- não contando  o vestido branco plissado que usou no filme “The Seven Year Ich”- foi um que usou durante a sua performance, em 1962, bastante provocante no aniversário de quarenta e cinco anos do  então presidente americano John F. Kennedy.  A atriz tinha o seu corpo agarrado por um vestido brilhante extremamente apertado, não deixando, literalmente, nada para se imaginar. Enquanto cantava “Happy Birthday, Mr President” de uma forma totalmente provocadora e sexy, seu vestido cintilava como se fosse uma extensão do próprio corpo Marilyn.
            Duas década depois, foi a vez de Jane Fonda chamar a atenção da mídia com  seus colás muito justos, especialmente na região da virilha, escolhidos pela atriz para gravar os seus famosos vídeos de workout. Também  não podemos esquecer do vestido exótico e também revelador que Cher escolheu para o Oscar de 1988- no qual ganhou o premio de Melhor Atriz- ou o traje (?) de Rose McGowan de 1998.


(Nao é de hoje que as mulheres usam seus corpos como principal foco na hora de criar o seu visual. Da esquerda para á direta: Marilyn Monroe e seu infame vestido de 1962; Cher no Oscar de 1988; o corpo malhado de Jane Fonda e idealizado por muitas mulheres, o traje que causou polemico no final dos anos 1990 de Rose McGowan)

            Então, a pergunta é: se vestir roupas sexys e reveladoras- onde o objetivo óbvio e ambíguo é não se cobrir de forma alguma- não é novidade, porque houve tanto julgamento e comentários em relação ao que Beyonce, Kim Kardashian e J-Lo usaram?
            Diferente de Marilyn Monroe, Cher, Jane Fonde, Rose McGowan e muitas outras mulheres que ousaram no mundo fashion, essas três celebridades super poderosas na atualidade vivem em um mundo onde a web comanda. LITERALEMENTE. Hoje a informação circula de forma rápida e extremamente passageira. Na internet, são inúmeras as plataformas acessíveis a todos que estão dispostos a julgar e comentar a vida dos outros. No caso de Kim Kardashian, há uma relação intensa de amor e ódio entre ela e a web. As pessoas amam odiar e odeiam amar ela. Kim pode hoje estar bem casada (?) com o rapper Kanye West e ser uma empresaria de sucesso de um mega conglomerado que se iniciou há mais ou menos dez anos. Entretanto, ela começou como uma reality star que tentava tirar a imagem de “porn star” que ganhou após um sex tape seu vazar para na mídia. Hoje, é só isso que as pessoas lembram e não acham justo o seu status de estrela e fashion icon. Ela, que usou um Roberto Cavalli- o primeiro feito por Peter Dundas desde que voltou a grife italiana- foi, mais uma vez intitulada ”Beyonce wanna be” , por usar um vestido extremamente semelhante ao qual Queen B usou em 2012 também no Met Gala- um Givenchy. Ironicamente, das três, Kim Kardashian foi a mais conservadora das três.


(A web esta sempre de olhos bem abertos para qualquer movimento que Kim K. der. Da esquerda para á direita: Kim e J-Lo na entrada da exposição do Met; o vestido Givenchy usado por Beyonce no Met Gala de 2012- e que, convenhamos, há realmente muitas semelhanças entre ele e o Cavalli de Kardashian;  a real inspiração do vestido de Kim- segundo ela mesma: o vestido de Cher no Met Gala de 1979)

            Jennifer Lopez e Beyonce- especialmente Bey- optaram por aparecer no evento mostrando os seus corpos de dar inveja a qualquer um. Enquanto o Versace de J-Lo mostrava de forma estratégico o corpo da cantora, Beyonce vestiu um Givenchy que gritava “I woke up like this” (ou até “I was born this way”).
            A internet anda ultimamente focando em assuntos como feminismo e ajudando na luta para acabar com o bullying. Ambiguamente, também idolatram essas mulheres que expõe seus corpos “perfeitos“, colocando, mais uma vez, mulheres “comuns”- rótulo criado pela mídia- em questionamento com o seus próprios corpos.



(Padrões de beleza idealizados pela mídia, mas, seriam eles tao relevantes para a vida das mulheres comuns? Da esquerda para á direita: Jennifer Lopez usando o iconico Versace verde no Grammy de  2000; Beyonce usando um body da marca The Blondes durante a Mr Carter Show World Tour; uma das infames foto- temos aqui a mais "conservadora" delas- que Kim Kardashian fez ano passado para a capa da revista Paper- na qual, literalmente, quebrou a internet- e Rihanna com um vestido Adam Selman a lá Marilyn Monroe para receber o Style Icon Award no CFDA 2014)

            Claro, isso esta longe de ser culpa da Beyonce ou da Kim Kardashian. Acho fantástico que elas amam seus corpos e vestem aquilo que lhes deixam feliz. Porém, por terem um poder de influencia enorme- principalmente no meio online- o lema no universo fashion de agora em diante poderá muito bem ser: “Meu corpo é a minha roupa”. Por isso, se ambas celebridades estão felizes seus corpos e querem mostra-los, deixem as outras mulheres fazerem o mesmo- não importando o seu número! Se a internet pode amar Beyonce e suas curvas, porque deveria julgar as mulheres “comuns”?
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